16/09/2009

De volta ao começo












"Where once my wit, perchance, hath shone,
In aid of others' let me shine;
And when, alas! our brains are gone,
What nobler substitute than wine?"


Lord Byron





Como um dia resolvi escrever esse blog (ainda que seja pras paredes) vou, aos trancos e barrancos, levando adiante minha resolução. Escrevi dois textos, no começo do inverno e parei. Agora, no fim do inverno, minha escrita começa a degelar.
Quando comecei a beber vinho como um enófilo, meu interesse caiu sobre os franceses (os supervalorizados franceses). Os vinhos franceses representam um verdadeiro paradigma para a moderna cultura do vinho. Além dos franceses tenho bebido muitos dos emblemáticos vinhos italianos, dos peculiares vinhos portugueses, dos tempranilhosos vinhos espanhois e por aí vai...
Quando descobri que haviam vinhos gregos no mercado brasileiro de importados fiquei ávido para beber o que é feito na terra de Dionísio.
A OPAP (Onomasía Proeléfseos Anotéras Piótitos - Denominação de Origem de Qualidade Superior) Neméa é uma das mais conhecidas da Grécia. O Neméa da Boutari, custa por volta de 40 reáis, importado pela Vinci, achei um vinho bem agradável. Bebi as safras 2004 e 2006. Um tinto alegre, com aromas simples e delicados de frutas vermelhas, muito fácil de beber, um vinho um tanto feminino. Agiorgitiko (St. George) é a uva do Neméa, e é também o nome de outro vinho da Boutari, que também é elaborado nessa mesma região do Peloponeso, também me agradou. Eu ainda não bebi o Grande Réserve Naoussa, que parece ser bem reputado, mas o Naoussa OPAP 2004 não gostei muito, achei um tanto diluido.
Dos brancos bebi o Santorini, outra OPAP, produzido com assyrtiko, gostei demais, só de pensar me da vontade de abrir uma garrafa (o tempo está esquentando). Bebi também o folclórico Retsina, esse da vinícola Gaia, segundo um amigo, enocarcamanófilo desdenhoso, o "Pinho Sol" grego. Esse é com certeza o vinho mais inusitado que já bebi. Talvez beber um retsina seja uma experiência incompleta se for fora da Grécia. A respeito desse tipo de vinho, eu vi que no Decanter World Wine Awards 2009 um tal de "Kechris Winery The Pine's Tear 2008" levou medalha de ouro.
Eu não segui a ordem em relação a brancos e tintos, mas termino com o vinho de sobremesa. Esse Mavrodaphne de Patras é um doce bem interessante, uma ótima opção para acompanhar um "puro".